Trata-se da estreia do publicitário Adilson Xavier no Romance Policial. Seu protagonista é o jovem delegado Hermano, que trabalha numa divisão de homicídios, no Rio de Janeiro.

longe de ser um policial típico. Filosofa sobre a verdade, gosta de poesia. Inexperiente e orgulhoso por jamais ter usado sua arma, ele recebe a missão de investigar o assassinato de um deputado federal acusado de desviar verbas destinadas às vítimas de uma grande inundação. A arma do crime foi um maçarico, usado com impressionantes requintes de crueldade. Outros políticos são mortos com o mesmo ritual torturante. Um pastor evangélico, ex-presidiário, surge como suspeito. A população batiza os assassinos como ‘Vingadores do Povo’. Pressão total. Ódio e desinformação esquentam os ânimos. A vida de Hermano se transforma num inferno.

 O livro tem um estilo atraente e o autor sabe trabalhar com as palavras. Há duas coisas que me incomodaram: o uso do “deus ex-machina[1]”:

“Arrisquei uma última olhadinha pro relógio: 20:47 horas. Foi minha visão derradeira antes que tudo ficasse escuro. Aí surgiu o estalo, parecendo vir de muito longe e cheio de eco.”

Também não consegui entender como o protagonista que está a alguns segundos da morte, sendo estrangulado, dá uma olhadinha pro relógio (?!?!?) ...

Há outra situação em que o autor mescla algo da vida pessoal do personagem com algo da trama (não dá pra explicar mais sem fazer spoiler), mas que me pareceu um pouco forçado. Ou, dizendo de outra forma, a busca pelo caminho mais fácil. Não precisava, pois, o autor demonstrou que tem talento pra evitar esses “atalhos”.

Enfim, gostei, com as ressalvas acima, e espero que Adilson Xavier siga escrevendo outros romances policiais. Recomendo para aqueles que desejam conhecer a nova safra de ficção policial brasileira.

  

[1] Expressão latina que é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra ficcional.