“O mundo da professora Yuko Moriguchi girava em torno da pequena Manami, uma garotinha de 4 anos apaixonada por coelhinhos. Agora, após um terrível acontecimento que tirou a vida de sua filha, Moriguchi decide pedir demissão.

Antes, porém, ela tem uma última lição para seus pupilos. A professora revela que sua filha não foi vítima de um acidente, como se pensava: dois alunos são os culpados. Sua aula derradeira irá desencadear uma trama diabólica de vingança...”

Fiquei curioso para ler um romance policial japonês. E este tem um plus que é tratar de alguns aspectos culturais do lugar do crime. A autora parece ser fã de Agatha Christie, pois me lembrei da autora inglesa em pelo menos dois momentos: o detetive reunido com todos os suspeitos; as reviravoltas mirabolantes da trama.

A autora trabalha cada capítulo com o ponto de vista de diferentes personagens. Também revela o crime e os suspeitos logo nas primeiras páginas, deixando-nos na posição de testemunhas, e não “detetives coadjuvantes”.

A escrita é boa, ágil e fluida. A narrativa prende e leva o leitor até a última página. Ademais, a autora, como exerce a carreira de professora, conhece muito bem o ambiente que ela retrata e a perversidade que essas inocentes criaturas podem cometer. Inclusive consegue nos perturbar e impactar em alguns momentos.

Trabalhar com diversas vozes dá um brilho extra, mas torna o trabalho mais arriscado ao tentar encaixar todas as peças com perfeição. Tive a sensação que a trama ficou excessivamente mirabolante quando se aproximou do fim e sobrecarregou os personagens. Prefiro quando o autor (e não os personagens) tem muito trabalho para dar coerência à trama. É uma questão de gosto. Para mim, a ficção policial precisa ser crível, senão, perde o encanto.

Na minha avaliação, está acima da média do gênero policial e recomendo a leitura.

Kanae Minato – é professora e obteve bastante sucesso com Confissões. Vendeu mais de três milhões de cópias no Japão, ganhou prêmios literários e foi adaptado para o cinema.