“Pode o ruído incessante produzido pela sociedade contemporânea provocar instintos homicidas num morador de uma grande cidade?

‘Viver é barulhento’, lamenta o personagem deste romance de alta voltagem, escrito pela aclamada escritora Patrícia Melo, no qual um rotineiro problema entre um pacato professor de biologia e seu novo vizinho acaba se transformando numa guerra bárbara.”

Acabei de ler Gog Magog, de Patrícia Melo. Muito bom! Durante a leitura e, ao acabar, tive a mesma sensação de quando leio meus autores contemporâneos favoritos: Roth, McEwan, Berlin... Puro prazer! Ou, citando uma frase de Gog Magog: "Sempre há um idiota para qualificar como arte a merda que você faz".

Adorei o tema do barulho com potencial de arma mortífera. Num país como o Brasil, isso é pura realidade. Como sou chato com outros autores, apontando pequenos furos em suas tramas, não posso deixar de fazê-lo com meus favoritos. A autora menciona uma marca de arma desejada por muitos policiais ou atiradores: Glock. Acontece que a autora se refere a tal arma da seguinte forma: “sentia o revólver brilhando...” As armas desse fabricante austríaco são semiautomáticas (não há revólveres) e de acabamento fosco (aconteceu o mesmo deslize na obra de Dolores Redondo - O Guardião Invisível). 

Escrita fluida e agradável. Trama interessante e bem costurada. Subverte qualquer enfadonha “receita” de ficção policial e firma-se como a melhor escritora de romance policial no Brasil. Saiba mais sobre a autora no tópico: Preferidos.

Enfim, Gog Magog é um excelente livro. Recomendo a todos!