"Aposto que você não sabia que a água sanitária apenas esconde o cheiro de sangue. A maioria das pessoas usa água sanitária indiscriminadamente, presumindo que é um produto multiuso, nunca se preocupando em ler a lista de componentes na parte de trás da embalagem, nunca se preocupando em retornar à superfície recém-limpa para examinar mais de perto. A água sanitária desinfeta, mas não é muito eficiente na limpeza de resíduos; então, só a uso depois de ter esfregado o banheiro, eliminando qualquer traço de vida, e de morte."

Com uma protagonista divertida, ácida, sensível e inteligente (lembrei em vários momentos do Manual da Faxineira - Lucia Berlin), a autora nos conduz com tamanha maestria, que nos convence que até o absurdo parece a mais crível das situações imaginadas.

A leitura é fluida, simples, instigante e despretensiosa... Em poucas horas você devorará as 180 páginas, pois é impossível parar de ler. A autora conseguiu dar originalidade e frescor a um tema pesado e já bastante usado e abusado. Se eu fosse temerário para querer resumir esse livro em uma palavra eu diria: fabuloso!

Publicado este ano pela Editora Kapulana, que fez uma capa sedutora (achei melhor que a versão americana) e uma boa diagramação, este pequeno livro foi uma excelente surpresa!

Oyinkan Braithwaite - é uma jovem escritora nigeriana, finalista do Commonwalth Short Story Prize, com o conto The driver. Estreou com My sistyer, the serial killer, em 2018, nos Estados Unidos.